Assassinato no Expresso do Oriente (2017)
Beatriz Fontana
Se existe um nome que é sinônimo de suspense na literatura mundial, esse nome é Agatha Christie. Quando o diretor e ator Kenneth Branagh decidiu assumir a missão de adaptar um de seus trabalhos mais icônicos, "Assassinato no Expresso do Oriente", ele não apenas buscou recriar uma história; ele buscou capturar a essência da "Era de Ouro" dos romances policiais. Se você procura um filme que une elegância, um elenco estelar e um jogo mental fascinante, este longa de 2017 é a pedida perfeita.
O Retorno de um Ícone
A trama nos apresenta a Hercule Poirot, o detetive belga mais famoso do mundo, interpretado aqui pelo próprio Kenneth Branagh. Poirot está em busca de um descanso merecido após resolver um caso complexo em Jerusalém. Porém, como bem sabemos, problemas costumam encontrar o detetive onde quer que ele vá. Ao embarcar no luxuoso Expresso do Oriente rumo a Istambul, ele se vê diante de um crime impossível: um passageiro é assassinado dentro de um vagão trancado, preso por uma nevasca intransponível.
O que torna o filme de 2017 tão especial é como ele equilibra a tradição com uma cinematografia moderna. Branagh utiliza lentes de 65mm para criar tomadas amplas e claustrofóbicas ao mesmo tempo, fazendo com que o espectador se sinta um dos passageiros do trem, observando cada olhar suspeito e cada gesto nervoso.
Um Elenco de Estrelas
Um dos maiores atrativos desta produção é, sem dúvida, o seu elenco. É raro ver tantos talentos de peso dividindo o mesmo espaço cenográfico. A dinâmica entre os suspeitos é o coração do filme. Temos nomes como:
- Johnny Depp, como o misterioso Ratchett;
- Michelle Pfeiffer, entregando uma performance dramática intensa;
- Judi Dench, trazendo a classe da nobreza russa;
- Willem Dafoe e Penélope Cruz, adicionando camadas de complexidade aos seus respectivos personagens.
A forma como o filme explora o passado de cada um desses personagens, transformando-os de meros "suspeitos" em seres humanos tridimensionais com motivações próprias, eleva a obra acima de um simples "whodunit" (quem matou?).
Por que assistir agora?
Em tempos de thrillers digitais e ritmos frenéticos, Assassinato no Expresso do Oriente oferece uma experiência diferente: o prazer da dedução. É um filme que respeita a inteligência do espectador. Você é convidado a sentar na poltrona do trem ao lado de Poirot, observar as pistas, analisar os depoimentos e tentar desvendar o quebra-cabeça antes do desfecho final.
Aspectos Técnicos: A Estética do Luxo
Não podemos ignorar a direção de arte. O design do trem é um personagem à parte. A riqueza dos detalhes, desde a madeira polida dos vagões até os figurinos de época, cria uma atmosfera imersiva. A trilha sonora, composta por Patrick Doyle, dita o ritmo perfeito entre a tensão e a melancolia que permeia a história.
Veredito: Vale a pena?
Se você gosta de filmes que priorizam o roteiro, o desenvolvimento de personagens e uma estética visual impecável, a resposta é um sonoro sim. O filme de 2017 não tenta substituir a versão clássica de 1974, mas sim oferecer uma nova interpretação visual e psicológica para uma nova geração.
Assassinato no Expresso do Oriente é, acima de tudo, um convite à reflexão sobre justiça, moralidade e as sombras que todos carregamos. Prepare a pipoca, diminua as luzes e embarque nessa jornada onde nada — absolutamente nada — é o que parece ser.
Sobre Beatriz Fontana
Para mim, a vida é melhor em 24 quadros por segundo. Sou crítica de cinema e trago para você o olhar por trás das câmeras, do cult ao blockbuster.
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