5 Filmes para Passar Longe
Beatriz Fontana
O cinema é uma arte capaz de nos transportar para mundos mágicos, mas, às vezes, a viagem é um desastre total. Seja por falta de orçamento, roteiros sem sentido ou escolhas artísticas duvidosas, existem filmes que se tornaram "cults" pelo simples fato de serem insuportáveis. Se você valoriza seu tempo (ou sua sanidade), aqui estão cinco produções que você deve abordar com cautela.
1. The Room (2003) – O "Cidadão Kane" dos Filmes Ruins
Escrito, dirigido, produzido e estrelado pelo enigmático Tommy Wiseau, The Room é amplamente considerado o pior filme já feito. A trama deveria ser um drama passional sobre um triângulo amoroso, mas o resultado é uma sucessão de diálogos desconexos, subtramas que nunca são resolvidas e uma atuação que desafia as leis da lógica humana.
Por que evitar: A menos que você esteja em uma festa com amigos para rir do absurdo, a experiência de assistir sozinho pode ser agonizante. O filme é um monumento ao narcisismo técnico, onde nada faz sentido, desde a continuidade até as emoções dos personagens.
2. A Centopeia Humana (2009) – O Limite do Grotesco
Diferente de The Room, este filme de Tom Six não é ruim por incompetência técnica, mas sim pelo seu conceito inerentemente repulsivo. A história foca em um cirurgião louco que decide unir três turistas cirurgicamente, boca com ânus, para criar uma "centopeia humana".
Por que evitar: É o tipo de filme que "não pode ser desvisto". Ele se apoia inteiramente no choque e na degradação humana, oferecendo pouco em termos de substância narrativa ou desenvolvimento de personagens. É uma experiência puramente visceral e negativa que deixa a maioria dos espectadores sentindo-se suja.
3. A Reconquista (Battlefield Earth, 2000) – O Desastre de John Travolta
Baseado no livro de L. Ron Hubbard, este filme de ficção científica é frequentemente citado como um dos maiores fracassos de bilheteria e crítica de Hollywood. Com um visual excessivamente saturado de tons roxos e verdes, e o uso bizarro de ângulos holandeses (câmera inclinada) em quase todas as cenas, o filme é visualmente cansativo.
Por que evitar: Além da estética datada e feia, as atuações são exageradas ao extremo. John Travolta parece estar em um filme diferente de todo o resto do elenco, e o roteiro é repleto de furos científicos e lógicos que tornam a imersão impossível.
4. Movie 43 (2013) – O Erro de um Elenco Estelar
Como um filme que conta com Hugh Jackman, Kate Winslet, Richard Gere e Emma Stone pode ser um desastre? Movie 43 prova que nem o melhor elenco do mundo salva um roteiro sem graça e ofensivo. O filme é uma antologia de esquetes de comédia que tentam ser "transgressoras", mas acabam sendo apenas imaturas e escatológicas.
Por que evitar: O humor é forçado e raramente arranca uma risada. É constrangedor ver atores de alto calibre participando de piadas que parecem ter sido escritas por pré-adolescentes tentando chocar os pais. É o equivalente cinematográfico a um acidente de carro: você quer olhar para o lado, mas não acredita no que está vendo.
5. Foodfight! (2012) – Um Pesadelo Visual
Este filme de animação levou anos para ser concluído após o roubo dos arquivos originais, e o resultado final parece um jogo de computador de 1995 que deu errado. A história envolve mascotes de marcas de supermercado lutando contra uma força maligna, mas a animação é tão bizarra que beira o "vale da estranheza" (uncanny valley).
Por que evitar: As expressões faciais dos personagens são assustadoras e a movimentação é fluida de uma forma perturbadora. Além disso, o filme é essencialmente um comercial de 90 minutos disfarçado de entretenimento infantil, mas com piadas adultas totalmente inapropriadas para o contexto.
Conclusão: O Valor do Tempo
O tempo é o nosso recurso mais precioso. Embora alguns desses filmes tenham valor como curiosidades históricas ou exemplos do que "não fazer" no cinema, para o espectador comum, eles representam horas que nunca serão recuperadas. Às vezes, a curiosidade mata a satisfação cinematográfica.
Sobre Beatriz Fontana
Para mim, a vida é melhor em 24 quadros por segundo. Sou crítica de cinema e trago para você o olhar por trás das câmeras, do cult ao blockbuster.
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